Entrevista
com Jairo Mancilha Publicada
em 10/08/2006 às 14h57m
O Globo Online |
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O psiquiatra e cardiologista Jairo Mancilha, de 60 anos, interessou-se
pela hipnose em 1991, quando fez um curso sobre este tipo de terapia na
Sociedade Brasileira de Hipnose. Especializado também em cardiologia, ele
conta que, desde então, abriu sua mente para novas possibilidades além
da medicina clássica. A cardiologia envolve muita rotina. Sempre gostei de trabalhar com cérebro
e mente e comecei a usar a hipnose - diz. Para Jairo, os resultados
são excelentes principalmente quando o tratamento está associado a
outros. E, melhor, não há contra-indicação.
GLOBO ONLINE: A hipnose é recomendada para que tipos de casos?
JAIRO MANCILHA:
A hipnose é útil para tratar uma fobia, (que é um padrão aprendido na infância com uma experiência traumática). Toda vez que há
um estímulo, a pessoa responde da mesma maneira.
A hipnose também é muito boa para a analgesia e mudanças de hábitos,
como o caso de uma criança que faz xixi na cama
ou de uma pessoa que rói unha.
Pode ser usada ainda para preparar alguém para dar uma palestra ou fazer
uma cirurgia. Se eu fosse da equipe do Parreira, colocaria todos os jogadores em transe
quinze minutos antes da partida, para o time entrar em campo com um estado
adequado. Provavelmente o Brasil teria ganhado a Copa.
Pela sugestão, você pode ajudar a pessoa a entrar num estado de
entusiasmo. Hipnose no esporte é uma grande aplicação. Em transe, o atleta pode
visualizar e viver aquilo que ele quer.
GLOBO
ONLINE:
Quais são os benefícios
da técnica para o paciente? JAIRO MANCILHA: É uma
terapia focal breve, em que a pessoa resolve as coisas de forma mais rápida.
Em outras terapias, o paciente pode levar anos para tratar uma fobia.
Com a hipnose, em três ou quatro sessões ele pode se curar. A
hipnose também complementa tratamentos médicos para depressão, síndrome
do pânico, ansiedade, fobia e insônia.
A hipnose funciona inclusive para problemas físicos, porque o
pensamento pode alterar a bioquímica do corpo, por meio da sugestão, das
palavras. Corpo e mente são um sistema. No caso de úlcera e doenças
psicossomáticas ou auto-imunes, a hipnose é uma boa ajuda. GLOBO
ONLINE:
Como a pessoa entra
em transe?
JAIRO MANCILHA: A base
da hipnose é focalizar a atenção e relaxar a pessoa para ela ficar mais
sensível a sugestões. A hipnose clássica usa muito a técnica de olhar
um ponto e cansar o olhar. É possível também focalizar a atenção no
corpo. Hipnose é imaginação acreditada. GLOBO
ONLINE: Mas, para funcionar, é
importante que a pessoa acredite? JAIRO MANCILHA: Se a
pessoa acreditar, ela funciona melhor. Porque hipnose trabalha com sugestão.
Seguir uma sugestão significa que a pessoa é sensível, só isso. Por
isso, crianças e adolescentes são hipnotizados facilmente, pois eles têm
muita imaginação e mais sensibilidade. Uma pessoa difícil de hipnotizar
é aquela racional. Pode observar que, em hipnose de palco, geralmente
adolescentes ou crianças são escolhidos. GLOBO
ONLINE: A hipnose pode ter efeito
colateral? A pessoa corre algum risco durante o transe, seja físico ou
psicológico? JAIRO MANCILHA: Não
vejo riscos na hipnose. Já tratei
milhares de pessoas e nunca tive problemas. Nem saberia dizer que risco seria esse, se o
transe é um estado natural do ser humano. GLOBO
ONLINE: O que é a auto-hipnose? JAIRO MANCILHA: É
quando a pessoa entra no estado em transe sozinha. Eu mesmo faço isso.
Escolho uma meta para a minha mente trabalhar, determino um tempo para
ficar em transe, que pode ser de dez minutos, e uso uma técnica de fixação
de atenção e relaxamento. Ensino todos os meus clientes a fazerem
auto-hipnose. Passo uma tarefa para se fazer em casa, dez minutos por dia. GLOBO
ONLINE: Qual é a diferença de
auto-hipnose e meditação?
JAIRO MANCILHA: O
estado neurofisiológico é muito parecido. A diferença é que a meditação
é mais ativa. A pessoa que está meditando está presente. Ela pára de
pensar, mas está presente, com toda a atenção em si. Na auto-hipnose,
eu focalizo a atenção, relaxo e deixo a minha mente mais solta, a
vaguear. Ou então me visualiso conseguindo minha meta. Tanto na meditação
quanto na auto-hipnose, o benefício para a saúde é o mesmo. GLOBO
ONLINE: Isso não seria uma
mentalização? JAIRO MANCILHA: Sim. Na
auto-hipnose eu faço às vezes uma mentalização, uma visualização. A
ioga, por exemplo, tem exercícios de mentalização, de ser imaginar num
lugar agradável... Isso é uma auto-hipnose, só que tem outro nome. RIO JANEIRO 10/08/2006
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