Os primeiros hipnotizadores são os pais...  
A constante repetição  para as crianças de certas afirmações por parte de um adulto a quem eles considerem uma autoridade, constitui uma “fonte de hipnose”. Essas mensagens chegam directamente ao inconsciente e determinarão, para bem ou para mal, a sua vida futura.
Esta situação é bem conhecida dos "hipnoterapeutas", que normalmente dedicam várias sessões a mudar programações infantis que muitas vezes provocam uma vida de insegurança e de baixa auto-estima.
Vou compartilhar convosco alguns ensinamentos que serão  valiosos para aprender a lidar com crianças.
O que os pais sensatos não devem dizer, quando lêem as notas escolares dos filhos e constatam que a maioria é negativa: Eu não te disse que isto iria acontecer se tu não estudasses?
Certamente que o seu filho ficará calado, encolherá os ombros e também será certo que o monologo prosseguirá:
O teu problema é que és um calão e um preguiçoso.
O silêncio do seu filho mantém-se e você cada vez mais enfurecido, continuará:
Não vale a pena falar contigo... Não vais conseguir ser ninguém na vida!
Acaba de ser dar o golpe final no destino do seu filho com estes três tipos de observações que, segundo os especialistas, estão entre as mais prejudiciais para as crianças:
“Eu não te disse...”,  pronunciado na excelsa sabedoria dos pais, é uma etiqueta negativa e uma condenação  do seu futuro.
Envolvidos na sua própria raiva e frustração, os pais não só denigrem como afastam de si os seus filhos e, com isto vão piorar uma situação que por si só já era bastante má.
É um facto que de tempos a tempos todos os pais dizem coisas ofensivas aos seus filhos e não será por isso que o mundo irá acabar. No entanto a repetição constante de comentários como os anteriores pode prejudicá-los para toda a vida.
“Os filhos aprendem a comunicar em casa”, disse Michael Baetty, professor de comunicação na Universidade Estatal de Cleveland, em Ohio.
“As crianças que são alvo permanente de insultos e críticas chegam a adultos usando a uma linguagem negativa”
Ora, esta situação pode ocasionar-lhes dificuldades no trabalho, com seus cônjuges e no futuro com seus próprios filhos.
Os psicopedagogos, os psicólogos, os educadores e outros especialistas identificaram este tipo de comentários, que os pais fazem aos filhos como os mais destrutivos.
Se como pai ou mesmo adulto, tem uma conduta similar, certamente que está corrompendo a sensação de bem-estar do seu filho não só na actualidade como nos anos vindouros.
Eis algumas das frases mais comuns e destrutivas que se pode dizer aos filhos:
O “deverias tê-lo feito assim”...
No (The Self-Confident Child (“O menino seguro de si mesmo”), a doutora Jean Yoder e William Proctor descrevem um caso de um menino em idade pré-escolar que, com muito esforço, aprende a atar os atacadores dos seus “ténis”. Depois de executar o trabalho vai ter com seu pai e mostra-lhe orgulhosamente o resultado do seu esforço:
Fantástico! diz-lhe o pai:
mas deverias ter calçado cada “ténis” no pé correspondente, o “esquerdo” no esquerdo e o”direito” no direito.
Kevin Leman, psicólogo no Arizona, e um dos moderadores de um programa de rádio em que se dá conselhos aos pais, recomenda ao seu auditório não conjugar o verbo “dever” com os filhos , não seja crítico”, adverte.
Quando se combina o elogio com a censura, os garotos costumam prestar mais atenção ao aspecto negativo do comentário.
“Se sua filha de cinco anos fez sua cama, e você de imediato rearranja o travesseiro enquanto lhe diz que fez um magnífico trabalho, ela pensará:
“ A mãe elogiou o meu esforço, mas parece que poderia ter feito isto melhor"
Em Massachusetts, um pai de cinco filhos recorda um incidente na época em que era treinador da equipa de basebol onde o seu filho, que então tinha 12 anos, jogava.
Já quase no final de um jogo, com o marcador empatado o meu filho começou a desanimar”, relata o pai. “A casa ainda estava cheia e os espectadores a puxar pelos jogadores. Substitui o meu filho, fi-lo regressar aos balneários e disse-lhe:
Que deveria ter mantido firmeza e luta até ao fim” e, não contente acrescentei: “Até um garoto de nove anos o teria feito um jogo melhor do que tu”.
O filho estava consternadíssimo e magoado pelas humilhações de que foi objecto, ele regressou humilhado e triste ao balneário. Posteriormente o pai compreendeu que suas palavras tinham sido demasiado duras e referiu:
“Aprendi que, em lugar de gritar, teria sido mais sensato que eu conversasse com meu filho sobre seus erros e a forma de corrigi-los”.
Até a crítica construtiva dói quando se expressa num mau momento ou imediatamente após um falhanço de alguma tarefa, pois neste caso a vulnerabilidade é maior. Mas se nem o pai ,nem o filho, podem modificar em determinadas ocasiões um resultado decepcionante,  será preferível não falar do assunto de imediato. “Mais tarde”, recomenda Anita Vangelisti, professora adjunta de comunicação verbal na Universidade de Texas em Austin, “dirija seus esforços a explorar os sentimentos da criança e a trabalhar com ele para encontrar uma forma de melhorar seu desempenho”

Adaptado de um artigo de Harriet Webster por PCOV