F43.1 - 309.81 - TRANSTORNO DE STRESS PÓS-TRAUMÁTICO - DSM - IV
 

Outros tipos de Transtornos por stresse:
                       Transtorno de Stress Pós-Traumático
                       Transtorno de Stress Agudo

Características Diagnósticas

                (Critério A1) - A característica essencial do Transtorno de Stress Pós-Traumático é o 
                                         desenvolvimento de sintomas  específicos após a exposição a um extremo
                                         "stressor" traumático, envolvendo a experiência pessoal directa de um evento
                                         real ou ameaçador que envolve morte, sério ferimento ou outra ameaça à própria
                                          integridade física;
                                        - ter testemunhado um evento que envolve morte, ferimentos ou ameaça à
                                          integridade física de outra pessoa;
                                        - ou o conhecimento sobre morte violenta ou inesperada, ferimento sério ou
                                          ameaça de morte ou ferimento experimentados por um membro da família ou outra
                                          pessoa em estreita associação com o indivíduo .

               (Critério A2)  - A resposta ao evento deve envolver intenso medo, impotência ou horror, (em 
                                          crianças, a resposta pode envolver comportamento desorganizado ou agitado) . 


               
(Critério B)  - Os sintomas característicos resultantes da exposição a um trauma extremo
                                         incluem uma revivência persistente do evento traumático , 

                (Critério C)  - esquiva persistente de estímulos associados com o trauma, embotamento da
                                         responsabilidade geral 

                (Critério D)  - e sintomas persistentes de excitação aumentada .

                (Critério E)  - O quadro sintomático completo deve estar presente por mais de 1 mês 

                (Critério F)  -  e a perturbação deve causar sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no 
                                         funcionamento social, ocupacional ou outras áreas importantes da vida do
                                         indivíduo .

          
Os eventos traumáticos vivenciados directamente incluem, mas não se limitam a:
                     - combate militar;
                       agressão pessoal violenta (ataque sexual, ataque físico, assalto à mão armada, roubo);
                       sequestro, (ser tomado como refém);
                     - ataque terrorista, tortura, encarceramento como prisioneiro de guerra ou em campo de 
                       concentração;
                     - desastres naturais ou causados pelo homem;
                     - graves acidentes automobilísticos;
                     - receber o diagnóstico de uma doença que traz risco de vida.

           
Para crianças, os eventos sexualmente traumáticos podem incluir;
                   - experiências sexuais inadequadas em termos do desenvolvimento, sem violência ou danos
                     físicos reais ou ameaçadores;

            Os eventos testemunhados incluem, mas não se limitam a, observar sérios ferimentos ou morte não natural de uma outra pessoa devido a ataque violento, acidente, guerra ou desastre, ou deparar-se inesperadamente com um cadáver ou partes de corpos humanos.
            Os eventos vivenciados por outros, dos quais o indivíduo toma conhecimento, incluem, mas não se limitam a, ataque pessoal violento, sério acidente ou ferimentos graves sofridos por um membro da família ou amigo íntimo; conhecimento da morte súbita ou inesperada de um membro da família ou amigo íntimo; conhecimento de uma doença com risco de vida em um dos filhos.
             O transtorno pode ser especialmente severo ou duradouro quando o stressor é de origem humana (por ex., tortura, estupro). A probabilidade do desenvolvimento deste transtorno pode aumentar com aumento da intensidade e proximidade do stressor.

O evento traumático pode ser revivido de várias maneiras:
         
(Critério B1) - Geralmente, a pessoa tem recordações recorrentes e intrusivas do evento 
          
(Critério B2) - ou sonhos aflitivos recorrentes, durante os quais o evento é reencenado .
          
(Critério B3) - Em casos raros, a pessoa experimenta estados dissociativos que duram de alguns
                                    segundos a várias horas, ou mesmo dias, durante os quais os componentes do
                                    evento são revividos e a pessoa comporta-se como se o vivenciasse naquele
                                    instante. 
        
(Critério B4)  - Intenso sofrimento psicológico
      
   (Critério B5)  - ou reactividade fisiológica, frequentemente ocorrem quando a pessoa é exposta a  
                                    eventos activadores que lembram ou simbolizam um aspecto do evento traumático,
                                    (por ex., aniversários do evento traumático, tempo frio ou guardas uniformizados;
                                  - para sobreviventes de campos de extermínio em climas frios;
                                  - tempo quente e húmido para veteranos de combate do Pacífico Sul;
                                  - ingresso em qualquer elevador para uma mulher que foi estuprada em um   elevador.

         (Critério C1)  - Os estímulos associados com o trauma são persistentemente evitados. 
        
(Critério C2)  - O indivíduo em geral faz esforços deliberados no sentido de evitar pensamentos, 
                                    sentimentos ou conversas sobre o evento traumático  e de evitar actividades, 
                                    situações e pessoas que provoquem recordações do evento.  
         
(Critério C3) - Esta esquiva de lembretes pode incluir amnésia para um aspecto importante do
                                   evento traumático .
        
(Critério C4) -
Uma responsabilidade diminuída ao mundo externo, conhecida como "torpor
                                   psíquico" ou "anestesia emocional", geralmente começa logo após o evento
                                   traumático. O indivíduo pode queixar-se de acentuada diminuição do interesse ou da
                                   participação em actividades anteriormente davam prazer , 
        
(Critério C5) - de se sentir deslocado ou afastado de outras pessoas , 
         
(Critério C6) - ou de ter uma capacidade acentuadamente reduzida de sentir emoções (especial-
                                   mente aquelas associadas  com intimidade, ternura e sexualidade) .
        
(Critério C7) - O indivíduo pode ter um sentimento de futuro abreviado (por ex., não espera ter uma
                                   carreira, casamento,  filhos ou um tempo normal de vida.
                                   O indivíduo tem sintomas persistentes de ansiedade ou maior excitação que não
                                   estavam presentes antes do trauma. 

        (Critério D1) - Estes sintomas podem incluir dificuldades em conciliar ou manter o sono,  possivel-
                                  mente devido a pesadelos recorrentes durante os quais o evento traumático é revivido, 

        (Critério D4) - hiper-vigilância
      
  (Critério D5) - resposta de sobressalto exagerada .
       
(Critério D2) - Alguns indivíduos podem relatar irritabilidade ou ataques de raiva 
       
(Critério D3) - ou dificuldades em concentrar-se ou completar tarefas 


Especificadores
            Os especificadores seguintes podem ser usados para definir o início e a duração dos sintomas do Transtorno de Stress 
Pós-Traumático:

                    Agudo    Este especificador deve ser usado quando a duração dos sintomas é inferior a 3 meses.
                  Crónico   Este especificador deve ser usado quando os sintomas duram 3 meses ou mais.
Com Início Tardio   Este especificador indica que pelo menos 6 meses decorreram entre o evento
                                     traumático e o início dos sintomas.

Características e Transtornos Associados
             Características descritivas e transtornos mentais associados. Os indivíduos com Transtorno de Stress Pós-Traumático podem descrever sentimentos de culpa por terem sobrevivido quando outros morreram ou pelas coisas que tiveram de fazer para sobreviverem.
              A esquiva fóbica de situações ou actividades que lembram ou simbolizam o trauma original pode interferir nos relacionamentos interpessoais e acarretar conflito conjugal, divórcio ou perda do emprego. A seguinte constelação de sintomas associados pode ocorrer, sendo vista com maior frequência em associação com um stressor interpessoal (por ex., abuso físico ou sexual na infância, espancamento doméstico, ser tomado como refém, encarceramento como prisioneiro de guerra ou em campo de concentração, tortura): prejuízo na modulação do afecto; comportamento autodestrutivo e impulsivo; sintomas dissociativos; queixas somáticas; sensações de inutilidade, vergonha, desespero ou desamparo; sensação de dano permanente; perda de crenças anteriormente mantidas; hostilidade; retraimento social; sensação de constante ameaça; prejuízo no relacionamento com outros; ou uma mudança nas características anteriores de personalidade do indivíduo.
             Pode haver um risco aumentado de Transtorno de Pânico, Agorafobia, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Fobia Social, Fobia Específica, Transtorno Depressivo Maior, Transtorno de Somatização e Transtornos Relacionados a Substâncias. Não se sabe até que ponto esses transtornos precedem ou se seguem ao início do Transtorno de Stress Pós-Traumático.

        
   
Achados laboratoriais associados.
           O aumento na excitabilidade pode ser medido por estudos do funcionamento autonómico (por ex., 
           ritmo cardíaco, electromiografia, actividade das glândulas sudoríparas).

            Achados ao exame físico e condições médicas gerais associadas.
            Condições médicas gerais podem ocorrer em consequência do trauma (por ex., traumatismo
            craniano, queimaduras).

           Características Específicas à Cultura e à Idade.
           Os indivíduos que emigraram recentemente de áreas de considerável convulsão social e conflito
           civil podem ter índices elevados de Transtorno de Stress Pós-Traumático. Essas pessoas podem
           sentir-se especialmente relutantes em divulgar experiências de tortura e trauma, devido à sua
           situação vulnerável como exilados políticos.  Avaliações específicas de experiências traumáticas e
           sintomas concomitantes são necessárias para esses indivíduos.
           Em crianças mais jovens, os sonhos aflitivos com o evento podem, em algumas semanas, mudar 
           para pesadelos com monstros, com o salvamento de outros ou com ameaças a si mesmas ou a
           outros.
           As crianças pequenas em geral não têm o sentimento de estarem revivendo o passado; ao invés
           disso, a revivência do  trauma pode ocorrer através de jogos repetitivos (por ex., uma criança que
           esteve envolvida em um sério acidente  automobilístico reencena repetidamente colisões automo-
           bilísticas com carrinhos de brinquedo).
           Em vista da dificuldade de uma criança em relatar diminuição no interesse por actividades
           significativas e limitação do afecto, esses sintomas devem ser atentamente avaliados mediante
           relatos feitos pelos pais, professores e outros observadores. Em crianças, o sentimento de um 
           futuro abreviado pode ser evidenciado pela crença de que a vida será demasiado curta para incluir
           a chegada à idade adulta.
           Pode também haver um "presságio catastrófico", isto é, a crença em uma capacidade de prever
           eventos futuros indesejados. As crianças também podem apresentar vários sintomas físicos, tais
           como dores abdominais ou de cabeça.

Prevalência
          Estudos comunitários revelam uma prevalência durante a vida do Transtorno de Stress Pós-Traumático variando de 1 a 14%, estando a variabilidade relacionada aos métodos de determinação e à população amostrada. Estudos de indivíduos de risco (por ex., veteranos de guerra, vítimas de erupções vulcânicas ou violência criminal) cederam taxas de prevalência variando de 3 a 58%.

Curso
           O Transtorno de Stress Pós-Traumático pode ocorrer em qualquer idade, incluindo a infância. Os sintomas em geral iniciam nos primeiros 3 meses após o trauma, embora possa haver um lapso de meses ou mesmo anos antes do seu aparecimento. Frequentemente, a perturbação inicialmente satisfaz os critérios para Transtorno de Stress Agudo imediatamente após o trauma.
           Os sintomas do transtorno e o relativo predomínio da re-experimentação, esquiva e sintomas de hiper-excitação podem variar com o tempo. A duração dos sintomas varia, ocorrendo recuperação completa dentro de 3 meses em aproximadamente metade dos casos, com muitos outros apresentando sintomas persistentes por mais de 12 meses após o trauma.
           A gravidade, duração e proximidade da exposição de um indivíduo ao evento traumático são os factores mais importantes afectando a probabilidade de desenvolvimento deste transtorno. Existem algumas evidências de que os suportes sociais, história familiar, experiências da infância, variáveis da personalidade e transtornos mentais preexistentes podem influenciar o desenvolvimento do Transtorno de Stress  Pós-Traumático. Este transtorno pode desenvolver-se em indivíduos sem quaisquer condições predisponentes, em particular se o stressor for especialmente extremo.

Diagnóstico Diferencial
           No Transtorno de Stress  Pós-Traumático, o stressor deve ser de natureza extrema, (isto é, ameaçador à vida). Em contrapartida, no Transtorno de Ajustamento, o stressor pode ter qualquer gravidade.
           O diagnóstico de Transtorno de Ajustamento aplica-se a situações nas quais a resposta a um stressor extremo não satisfaz os critérios para Transtorno de Stress Pós-Traumático (ou para outro transtorno mental específico) e a situações nas quais o padrão sintomático do Transtorno de Stress  Pós-Traumático ocorre em resposta a um stressor não considerado extremo (por ex., abandono pelo cônjuge, demissão do emprego).
           Nem toda psicopatologia que ocorre em indivíduos expostos a um stressor extremo deve necessariamente ser atribuída ao Transtorno de Stress  Pós-Traumático. Os sintomas de esquiva, anestesia emocional e maior excitabilidade presentes antes da exposição ao stressor não satisfazem os critérios para o diagnóstico de Transtorno de Stress  Pós-Traumático e exigem a consideração de outros diagnósticos (por ex., Transtorno do Humor ou outro Transtorno de Ansiedade).
           Além disso, se o padrão de resposta sintomática ao stressor extremo satisfaz os critérios para outro transtorno mental (por ex., Transtorno Psicótico Breve, Transtorno Conversivo, Transtorno Depressivo Maior), esses diagnósticos devem ser dados ao invés de Transtorno de Stress  Pós-Traumático, ou em acréscimo a ele.
           O Transtorno de Stress  Agudo distingue-se do Transtorno de Stress  Pós-Traumático porque o padrão sintomático do Transtorno de Stress Agudo deve ocorrer dentro de 4 semanas após o evento traumático e resolver-se em um período de 4 semanas. Se os sintomas persistem por mais de 1 mês e satisfazem os critérios para Transtorno de Stress  Pós-Traumático, o diagnóstico é mudado de Transtorno de Stress Agudo para Transtorno de Stress  Pós-Traumático.
          No Transtorno Obsessivo-Compulsivo existem pensamentos intrusivos recorrentes, mas estes são experimentados como inadequados e não têm relação com a vivência de um evento traumático. Os flashbacks no Transtorno de Stress  Pós-Traumático devem ser diferenciados das ilusões, alucinações e outras perturbações da percepção que podem ocorrer na Esquizofrenia, outros Transtornos Psicóticos, Transtorno do Humor com Aspectos Psicóticos, delirium, Transtornos Induzidos por Substância e Transtornos Psicóticos Devido a uma Condição Médica Geral.

              A simulação deve ser descartada naquelas situações em que entram em jogo uma remuneração financeira, qualificação para a obtenção de benefícios e determinações forenses.

Critérios Diagnósticos para F43.1 - 309.81 Transtorno de Stress  Pós-Traumático

A. Exposição a um evento traumático no qual os seguintes quesitos estiveram presentes:
      (1) a pessoa vivenciou, testemunhou ou foi confrontada com um ou mais eventos que envolveram morte ou 
            grave ferimento, reais ou ameaçados, ou uma ameaça à integridade física, própria ou de outros;
      (2) a resposta da pessoa envolveu intenso medo, impotência ou horror.

           
Nota: Em crianças, isto pode ser expressado por um comportamento desorganizado ou agitado

B. O evento traumático é persistentemente revivido em uma (ou mais) das seguintes maneiras:
      (1) recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas do evento, incluindo imagens, pensamentos ou percepções.
           
Nota: Em crianças pequenas, podem ocorrer jogos repetitivos, com expressão de temas ou aspectos do trauma;
      (2) sonhos aflitivos e recorrentes com o evento.
          
Nota:
Em crianças podem ocorrer sonhos amedrontadores sem um conteúdo identificável;
     (3) agir ou sentir como se o evento traumático estivesse ocorrendo novamente (inclui um sentimento de 
           revivência da experiência, ilusões, alucinações e episódios de flashbacks dissociativos, inclusive aqueles  
           que ocorrem ao despertar ou quando intoxicado).
         
Nota:
Em crianças pequenas pode ocorrer reencenação específica do trauma;
     (4) sofrimento psicológico intenso quando da exposição a indícios internos ou externos que simbolizam ou
           lembram algum aspecto do evento traumático;
     (5) reactividade fisiológica na exposição a indícios internos ou externos que simbolizam ou lembram algum 
           aspecto do evento traumático.

C. Esquiva persistente de estímulos associados com o trauma e entorpecimento da responsabilidade geral (não
     presente antes do trauma), indicados por três (ou mais) dos seguintes quesitos:
    (1) esforços no sentido de evitar pensamentos, sentimentos ou conversas associadas com o trauma;
    (2) esforços no sentido de evitar actividades, locais ou pessoas que activem recordações do trauma;
    (3) incapacidade de recordar algum aspecto importante do trauma;
    (4) redução acentuada do interesse ou da participação em actividades significativas;
    (5) sensação de distanciamento ou afastamento em relação a outras pessoas;
    (6) faixa de afecto restrita (por ex., incapacidade de ter sentimentos de carinho);
    (7) sentimento de um futuro abreviado (por ex., não espera ter uma carreira profissional, casamento, filhos ou um
         período normal de vida).

D. Sintomas persistentes de excitabilidade aumentada (não presentes antes do trauma), indicados por dois (ou 
      mais) dos seguintes quesitos:
     (1) dificuldade em conciliar ou manter o sono
     (2) irritabilidade ou surtos de raiva
     (3) dificuldade em concentrar-se
     (4) hiper-vigilância
     (5) resposta de sobressalto exagerada.


E. A duração da perturbação (sintomas dos Critérios B, C e D) é superior a 1 mês.
F. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional 
    ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
    Especificar se:
           Agudo: se a duração dos sintomas é inferior a 3 meses.
           Crónico: se a duração dos sintomas é de 3 meses ou mais.
    Especificar se:
           Com Início Tardio: se o início dos sintomas ocorre pelo menos 6 meses após o stressor.